Guia do Autor de MvF
Como escrever um Framework de Verificação de Metodologia — estrutura, requisitos e processo de submissão.
Para quem é este guia?
Este guia é destinado a cientistas ambientais, especialistas em metodologia e organizações que propõem novas metodologias de dMRV para o Ecossistema Carrot. Ele apresenta o passo a passo para escrever um Framework de Verificação de Metodologia (MvF) do zero.
Pré-requisitos
Referência de Estrutura Mínima do MvF
Para a especificação completa do que um MvF deve conter — seção por seção — consulte a referência Estrutura Mínima do MvF.
Antes de escrever um MvF, você deve ter:
- Expertise no domínio da alegação ambiental que sua metodologia aborda
- Compreensão dos conceitos de dMRV e do Padrão dMRV Carrot
- Familiaridade com o catálogo de metodologias e metodologias existentes
- Conhecimento de padrões internacionais relevantes (ex.: metodologias UNFCCC CDM, diretrizes do IPCC)
Entregáveis
Uma submissão de MvF inclui quatro entregáveis:
- Documento do framework — A especificação completa definindo escopo, elegibilidade, regras de validação, fórmulas e requisitos de dados.
- Matriz de rastreabilidade — Um mapeamento estruturado de cada requisito de verificação à sua fonte de dados e resultado esperado.
- Diretrizes de verificação — Instruções para Integradores sobre quais dados coletar e como submeter documentos MassID.
- Política de evidências — Uma especificação por evento de evidências obrigatórias, proveniência e retenção, aceitação digital vs. auditoria e gatilhos de escalonamento.
Etapa 1: Definir o framework
Comece definindo os limites centrais da sua metodologia:
- Escopo — Quais tipos de resíduos, métodos de tratamento e regiões geográficas a metodologia cobre? Seja específico sobre materiais incluídos e excluídos.
- Critérios de elegibilidade — Quais participantes, instalações e atividades se qualificam? Defina requisitos para geradores de resíduos, transportadores, processadores e recicladores.
- Alegação ambiental — Qual é o impacto mensurável? (ex.: toneladas de resíduos desviados, CO2e evitado)
A definição de escopo não deve se sobrepor a metodologias existentes. Consulte a política de Metodologias Colidentes.
Etapa 2: Especificar regras de validação
Cada verificação deve ser definida como uma regra com critérios claros de PASSED/FAILED:
- Nome da regra — Um identificador descritivo (ex.:
weighing,driver-identification) - O que verifica — O elemento de dados ou condição específica sendo verificada
- Condição PASSED — Os critérios exatos que devem ser atendidos, sem ambiguidade
- Condição FAILED — O que causa a falha da regra, com explicações de erro específicas
Consulte as regras de framework existentes no catálogo de metodologias para referência. Muitas verificações comuns (identificação de atores, pesagem, geolocalização) já possuem definições estabelecidas no nível de framework que podem servir como modelo.
As regras se dividem em três categorias:
- Regras de estrutura — Verificam integridade formal e completude dos dados (ex.: campos obrigatórios presentes, unidades corretas). São independentes da metodologia.
- Regras de metodologia — Verificam conformidade com os critérios e parâmetros da metodologia (ex.: tipo de resíduo elegível, distância dentro da fronteira do projeto).
- Regras de auditoria — Verificam consistência cruzada entre eventos e padrões comportamentais que exigem análise mais profunda (ex.: limites de massa acumulada, verificações de duplicidade).
Para a especificação completa de regra em 12 campos, consulte Regras de Validação e Controles.
Etapa 3: Criar a matriz de rastreabilidade
A matriz de rastreabilidade vincula cada requisito de verificação à sua fonte de dados e resultado esperado:
| Requisito | Fonte de dados | Resultado esperado |
|---|---|---|
| Gerador de resíduos é identificado | Evento OPEN do MassID | PASSED: origem dos resíduos consistente com os eventos |
| Peso é verificado | Evento WEIGHING do MassID | PASSED: peso líquido validado |
| … | … | … |
Esta matriz garante a completude — cada requisito tem uma fonte de dados correspondente e um resultado verificável. O MvA implementará posteriormente cada requisito como regras de aplicação executáveis.
Etapa 4: Escrever as diretrizes de verificação
As diretrizes de verificação informam os Integradores sobre quais dados coletar e submeter:
- Quais eventos da cadeia de suprimentos são obrigatórios (coleta, entrega, pesagem, reciclagem)
- Quais atributos cada evento deve incluir
- Quais documentos e anexos são necessários (manifestos, certificados de homologação)
- Formato de dados e requisitos de submissão via a API
Etapa 5: Submeter para revisão
Submeta o pacote completo do MvF (documento do framework, matriz de rastreabilidade, diretrizes de verificação e política de evidências) à Carrot Foundation para revisão.
O processo de revisão inclui:
- Verificação de completude — Confirmar que todos os entregáveis estão presentes e bem estruturados
- Conformidade com o padrão — Garantir alinhamento com o Padrão dMRV Carrot
- Revisão pela comunidade — A Comunidade de Especialistas avalia o rigor científico, a viabilidade e possíveis colisões
- Aprovação — A Foundation aprova a metodologia para desenvolvimento do MvA
Critérios de qualidade
Uma submissão forte de MvF demonstra:
- Completude — Todo aspecto da verificação é especificado, sem lacunas na matriz de rastreabilidade
- Clareza — As regras são inequívocas e podem ser implementadas como código determinístico
- Testabilidade — Cada regra pode ser validada com casos de teste concretos
- Sem colisão — O escopo não se sobrepõe a metodologias existentes
- Conformidade com o padrão — Todos os requisitos do Padrão dMRV Carrot são atendidos
Esses cinco critérios resumem as expectativas principais. Para o framework completo de seis dimensões de qualidade utilizado durante a homologação do MvF — incluindo o processo de avaliação, ciclos de revisão e tipologia de não conformidades — veja Critérios de Qualidade e Homologação.
Feedback e propostas de metodologia: method@carrot.eco